Quarta-feira, Outubro 07, 2009
Planos...
Jaime Pascoal
_Amigo, confesso, estou abalado...
Melando palavras, de mel a meu, cantava alegremente sua rendição incondicional ao fluxo daquele novo sentir. Descrevia seu prazer docemente apimentado com um sorriso embasbacado feito sexta-feira à noite.
Contou-me alucinado que jamais havia visto antes, mas bem como contara da outra vez.
Feliz Jaime Pascoal, vivendo cada paixão como a primeira e rezando nunca viver a última.
Terça-feira, Setembro 29, 2009
Matizes em Guerra
Em um tempo de muitos confrontos os exércitos Vermelhos dominaram os Amarelos a Oeste depois de sangrenta batalha. A que custou a vida de metade de seus soldados.
O imperador vermelho, tido como sábio, percebera que sua sangria fora exagerada. Por não guardar vidas inimigas, no intuito de torná-las aliadas. Ampliou-se o território, mas dividiu-se a defesa.
Portanto, passados alguns dias, chegaram aos ouvidos do imperador, por antecipação, notícias sobre a marcha dos Azuis, vindos do leste rumo a seu império. Semanas antes de um possível confronto era sabido que tal exército inimigo contava com mil soldados fortemente armados, em um único grande destacamento caminhando pelas margens do rio Largo que cortava montanhas no intervalo entre as terras.
Percebendo sua fraqueza militar diante da investida inimiga a sabedoria do imperador general lhe concedeu uma idéia.
Os Azuis certamente estavam em marcha de ataque por saberem da impotência dos Vermelhos, cujo exército tinha pouco mais de quinhentos homens passadas apenas poucas semanas de sua custosa vitória sobre os Amarelos. Porém não havia maneira de saberem os Azuis sobre os motivos pelos quais os Vermelhos estavam em desvantagem.
Assim o imperador mobilizou seu povo para substituir, viajando por sobre as montanhas, a plenitude dos Vermelhos pela devastação dos Amarelos, trocando de lugar os cenários. Ele ordena que metade do povo se concentre em transportar todas as provisões, tesouros e bandeiras para as terras devastadas dos Amarelos e lá comecem a semear. Enquanto a outra metade deveria plantar pela cidade falsas sepulturas de soldados e civis vermelhos, bem como erguer ali as bandeiras amarelas e em seguida partir, porém pelas margens, pescando e colhendo frutos selvagens, até a cidade amarela, a oeste conquistada.
Ao seu pequeno exército ele ordena que marche em silêncio pela outra margem do rio na direção das Terras Azuis fazendo o mesmo no caminho, pescando e colhendo alimentos.
Passados poucos dias, os Azuis, ao chegarem à cidade vermelha se depararam com o resultado visível de saqueamento e retirada. Não viram as bandeiras vermelhas nem seus tesouros, apenas corpos enterrados pela cidade, plantações queimadas e silêncio, nem mesmo um poço com água foi deixado para trás.
Desapontado o general Azul, temendo um confronto depois de tantos dias de viagem e contando com o aparente poder dos exércitos Amarelos decide recuar ao invés de avançar, pensando em preparar-se para uma jornada maior.
Então, durante os dias em que os Azuis descansavam para prover seu retorno, os vermelhos avançavam pela margem oposta do rio em direção as terras Azuis indefesas.
Chegando lá os Vermelhos encontraram facilmente a vitória sobre aquele povo, expulso pela força bruta mais ao leste onde morreriam fatidicamente no vale selvagem. Queimaram as plantações e esconderam em casamatas afastadas as colheitas. Secaram os poços e envenenaram as águas nas cacimbas enquanto, entrincheirados, descansavam aguardando o regresso do General frustrado.
Passados muitos dias, no momento do regresso, o general azul deu com os joelhos sobre sua terra. Derramando-se em lágrimas cansadas pela jornada não foi capaz de contar os quinhentos homens alimentados e dispostos que apunhalavam-lhe os mil, por bem ou mal dizer, pelas costas. Deixando vivos apenas os quase quinhentos homens que, perdidos e sem comando, juravam lealdade ao sábio imperador vermelho, que era o único capaz de guiá-los em direção à glória.
Dessa forma os Vermelhos levantaram sua bandeira em paz de leste a oeste daquela vastidão. Até que a cobiça dos verdes atiçada iniciou uma nova marcha.
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Quinta-feira, Abril 23, 2009
mmmmmm...
Travelings tomam a paisagem epidérmica adiantada morro acima, a frente das línguas que traçam roteiros deliciantes nas mais íntimas viagens.
Toca com a boca as cordas mais agudas de um pescoço, fricciona unhas afiadas em carne úmida e grita panos adentro extremado êxtase.
Sexta-feira, Abril 17, 2009
Ai!!!
Mata-me de pressa...
Correr o tempo de espera
entre separado e encontro.
Sentido ao que faz falta.
Falta muito, falta pouco,
E eu já estou ficando rouco
de cantar a paciência,
essa só que me assola,
sofro até chegar a hora
de acabar minha clemência.
Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009
Natureza
Dessa noção da palavra, surge seu significado mais amplo: a Natureza corresponde ao mundo material e, em extensão, ao Universo físico: toda sua matéria e energia, inseridas em um processo dinâmico que lhes é próprio e cujo funcionamento segue regras próprias (estudadas pelas ciências naturais).
Fonte on-line. “Wikipédia, a enciclopédia livre.” – 06/02/2009 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Natureza)
A definição acima aponta como natural o que não é “tocado” pelo homem, mas o homem em si é fruto de uma dinâmica natural, criado com a capacidade não só de alterá-la como até, acreditam muitos, desfazê-la sendo dela substrato.
Daí surge uma questão interessante, a natureza age mesmo harmonicamente (cabe aqui também uma definição de harmonia) ou o conflito (outra definição) é seu parâmetro motor?
Sendo substrato natural, o homem e sua capacidade de interpretação e manipulação de recursos, lógicos e materiais, coloca-se por estas vias em terceira pessoa; enxerga na natureza seus próprios arbítrios e a chama hora de harmônica, como uma conta que resulta em 4, hora de conflituosa, como sua própria mente constantemente caótica que resume tudo em contas. Paradoxo.
Pretensão humana definir algo como se dela não fosse fruto, aqui opino.
Evoluir, rastejar, ter penas, dentes, amamentar ao vôo, ter voz, e por fim raciocínio é seguir qual caminho? O da harmonia, ou do conflito?
A natureza faz seu trabalho a caminho da superação ou extinção?
Um ser Chamado Aflito
Como todo excesso é prejudicial, esse não seria diferente. De tão bom bobo, de tão bobo usado, de tão usado exausto, de tão exausto triste e de tão triste inconsolável.
Pobre coitado.
...
Sábado, Janeiro 17, 2009
Leiam isso!
http://diegoviana.opensadorselvagem.org/secao-dialogos-um-blog-admoesta-seu-blogueiro/
...
Quinta-feira, Janeiro 15, 2009
Não Esqueço Mais
Só se encontra algo que se havia perdido.
Não querendo mais sofrer tais perdas temporárias, tomei uma decisão:
Amarrei no meu dedo polegar, esse que eu uso o tempo todo para agarrar coisas, uma fita vermelha. Assim ela me lembra de não esquecer a importância que estas lembranças têm para mim.
Daí fiz uma promessa: Nunca esquecer de conferir a presença da fita.
Para cumprir a promessa, que também corre o risco de se perder no esquecimento pelos mesmos motivos, amarrei no meu indicador, esse que eu uso para apontar coisas, outra fita, porém azul.
Novamente fiz uma promessa: Nunca esquecer de conferir a presença da fita.
No entanto, para não me esquecer de cumprir essa promessa...
Quarta-feira, Dezembro 10, 2008
Paulo e Marta
_Sim, Marta?
_Sou eu.
_Há quanto tempo você não me liga moça. To com saudade.
_Bastante não é? Eu também to com saudade.
_É, e como andam as coisas aí?
_Com a lida ta tudo bem, to um tanto atarefada, meio que de stress...
_Ã...
_...meu problema tem sido você.
_Que isso Marta? Não nos vemos a semanas. O que eu poderia ter feito?
_É isso mesmo... é que não passo um único dia, minuto, sem pensar em nós e da última vez que estivemos juntos, foi tão mágico pra mim quanto da primeira vez e eu não suporto mais minha hipocrisia e... to com medo e... poxa, to sem lugar no mundo e...
_Hei! Hei! Calma mulher...
_Me perdoa meu bem... eu tenho mais de você em mim do que posso suportar agora... eu te quero muito... não se vire pra mim...
_Opa! Você ta me assustando Marta. Ta até se parecendo comigo, tempos atrás.
_Não é fácil admitir, eu não me arrependo de ter partido, eu também tinha problemas, mas não houve um único dia em que seu nome não fora tocado, nem uma oração em que você não tenha sido agraciado, eu vejo você em lembranças do dia a dia, nos filmes que vimos juntos, nos pratos, nas músicas... eu to precisando muito de você... da sua pele, voz...
_Marta, não me diga isso. Você partiu convicta de algo, o que mudou agora?
_Não é brincadeira Paulo, você sabe muito bem que eu me rendo a você sem pensar, desde sempre, e você fez uso disso quando lhe foi conveniente... Me escuta, eu te peço perdão e admito... eu te amo, mais que tudo e queria ter você agora mesmo aqui comigo...
_Uow! Nem sei o que dizer... eu... preciso digerir isso... eu... bem... eu tenho que ir e não posso falar agora.
_Não Paulo, não faz isso... olha eu sou melhor agora... não, eu sou a mesma... a meus Deus, eu sou nada sem você.
_Ow! Eu realmente preciso pensar... eu to ocupado e encabulado agora é... agente se fala.
_Paulo não... espé...
Domingo, Dezembro 07, 2008
Lembranças
Segunda-feira, Novembro 24, 2008
Anti-Musa
Não toma mais anseios um minuto
Verdades reveladas em mentiras
A ti não prestam mais nenhum tributo.
...
Sábado, Novembro 15, 2008
Dor, muita dor!
Ressaca!!!
Daí me toca o telefone e foda-se... minha cabeça dói e até minha cama anda doendo.
Chega então uma mensagem e, de repente, nem tão foda-se. Eu fugi da cama quente e quase tomei um tombo, falhou meu pé esquerdo.
Perfeito! Agora pra me consolar eu tenho dores no pé, cabeça e peito.
Eu não vou fugir do meu dia, apesar dele parecer um lixo até agora. Posso me tratar com esta embalagem na minha mão, escrita em russo. Mas como o mensageiro me deu olhos embaçados eu não consigo ler as letras miúdas da bula e devo me auto medicar às cegas.
Filha da Puta... que fossa... que dor no pé... que dor no peito!
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Terça-feira, Outubro 14, 2008
Política Honesta
Apenas o homem agraciado por Deus com este dom, a honestidade, é capaz de tornar-se o líder ideal. Saber quem é o afortunado detentor de tal dom depende mesmo de conhecer e vislumbrar, honestamente, seus atos, comportamentos e costumes, bem como seus ideais, opiniões e propostas.
Domingo, Outubro 05, 2008
Vá se folder-se!
Oh Shit! Peguei o papelzinho por automatismo e pensei: Tô ferrado. Isso vai andar pela minha casa durante semanas antes de ir para o lixo. Não sei por quê então, talvez por causa da fila, abri o treco e fiz a leitura sugerida. Desejei ser analfabeto!
"O Código Da Vinci, fato ou Ficção?". Oakay suas antas, é ficção. Acreditar nisso, ou não, não é um exercício de fé. É só mais um livro escrito pelo homem que pelo visto amedronta a esse ponto, o de haver um folder "explicativo", as verdades do livro sagrado, escrito por Deus.
Creio em Deus sim, mas não vejo muita diferença entre as serifas da Bíblia, as de Dan Brown e as desse blog. Qualquer um poderia chamá-los ficção, e quero ver quem me prova que não.
Talvez o Dan Brown deveria publicar um folder do mesmo calão bradando o contrário. Mas ainda assim seria só mais um papel chato se metendo no meu bolso contando uma possível estória.
5 de Outrubro
Terça-feira, Setembro 30, 2008
Palavra Imágica
{Palavra imágica capaz de realizar todos os desejos que você não tem, apenas se dita três vezes seguidas em noites de um dia qualquer}
Sexta-feira, Setembro 26, 2008
Domingo, Setembro 21, 2008
- Marcos, vai dormir!
- Ora! E agora essa, por quê?
- Eu tô com medo.
- Medo de quê?
- De morrer dormindo.
- Hahahaha... você morre enquanto está acordado também, você não tem medo?
- Opá! É mesmo... mas, acordado, eu só tenho medo de morrer se for dormindo.
- Então... vá dormir!
Sexta-feira, Setembro 19, 2008
Ontem
Flor Do Destino
Que vai penetrando pra dentro do mundo
Te bebi assim como poço de rua
Que eu olhava dentro mas não via o fundo
Tu me deste um sonho
Eu te trouxe um gosto de tucumã
Tu me deste um beijo
E a gente se amou até de manhã
Veio o sol batendo
E nos despertou
Da gente virando terra, mato,
Galho e flor
Água de riacho é clara e limpinha
Mas às vezes turva com a chuva violenta
Teu amor é um papagaio que xina
Dentro do silêncio da tarde cinzenta
E o amor é um rio
Profundo rio
De muitos sinais
Onde os barcos passam
Conforme o vento deseja e faz
Ai que ainda me lembro
Disso que ficou
Da gente virando terra, mato,
Galho e flor.
(Nilson Chaves)
Nilson Chaves, paraense, poeta e compositor. Este artista de notória habilidade com as palavras traz ao arcenal de motivos da música popular brasileira os mais variados timbres da amazônia em composições rechedas de muito regionalismo e paixão.
Sexta-feira, Agosto 22, 2008
Quarta-feira, Agosto 06, 2008
Livrai-me
A muito a infância toma meus anseios quando me lembro da facilidade que era esquecer o que eu não tinha. Hoje essa tarefa é tão árdua que me cansa só a lembrança. A casa, o carro, a viagem de férias no litoral, a nova placa nova de ultimíssima geração para alimentar meu universinho virtual medíocre. FODAM-SE! Mas perdoem a hipocrisia de que faço uso agora. Estou triste.
Ainda chuto tudo e venço essa pendenga por antecipação, antes que me levem a porção macaco que me tranqüiliza nessas horas.
Por fim, sei bem meu papel nessa sociedade, o quanto devo trabalhar para servi-la e servir-me. Mas eu fui inserido e não convidado, portanto não me pressionem agora, estou com desejo.
Sexta-feira, Abril 04, 2008
Orquestra
Desci as escadas em direção ao camarim, colado na porta um bilhete que recolhi prontamente e entrei. Sentado diante do espelho li.
Querido, estou na cidade, mas não pude comparecer. Volto pela manhã. Obrigado pelas entradas, dei à Luci que levou este bilhete. Ligue-me amanhã, estarei em casa.
Eu já sabia. Ainda previsível. Bem como minhas notas.
No estacionamento, encostado no carro o velho maestro.
_Soube do seu solo e resolvi aparecer, rapaz o que lhe falta é uma orquestra.
Hoje acordei um pouco decepcionado, talvez arrependido.
Quarta-feira, Março 19, 2008
Infanto
Terça-feira, Março 11, 2008
Rubra
De tanto vistas, ao solo, desfalecem,
Desbotadas dos textos se esquecem,
Quase sempre perdendo a estribeira.
O vermelho que tingira o pano branco,
Simbolismo do desejo por seu canto,
De Paz sonhada findou-se então em pranto.
Domingo, Março 09, 2008
Sem Moléstias
Terça-feira, Fevereiro 26, 2008
Ei, porquê não fala sobre você?
_Isso o quê?
_Sua mania de escrever devaneios literários num diário.
_E o que tem de mais?
_Um diário é feito para contar os dias.
_Para isso eu já tenho um calendário, tem até um impresso nas primeiras páginas do meu não-diário.
_Não é contar de contar que eu tô falando, é tipo de contar uma história. História com "h". A sua história dia-a-dia.
_Para quê? Quem se interessaria pela minha história? Não faço nada que seja assim... tão admirável.
_É, pensando assim você tem razão. Mas acredito que se as pessoas tivessem esse hábito facilitariam o trabalho dos historiadores.
_Que que eu tenho a ver com os historiadores?
_Nada por enquanto. Mas digamos que alguém pegue o seu... como é mesmo?
_Não-diário?
_É, isso aí, seu não-diário. Ele não dirá nada sobre você.
_Mas poderia dizer muito sobre o que andei pensando vida afora.
_Pensando, han.
_Se vivi, ou vivenciei, absorvi algo. Tendo esse algo em mim me restam três opções, eu acho.
_Hum?
_Eu posso me calar.
_Dois...
_Posso vomitar.
_Três.
_Ou posso digerir!
_E qual você está fazendo agora?
_Digerindo ora!
_Escrevendo essas viagens?
_É.
_Por isso é que sai tudo uma merda. hehehehehehe...
_Viu... Taí você vomitando. Porque não vai contar o dia ao seu diário? Quem sabe um historiador gosta da sua história e escreva um mestrado com ela.
_Tá me cassoando neh?!
_Não não...
_Prefiro falar sobre mim mesmo que dos sentidos e viagens e tal... é chato!
_Agora podia ter se calado. Sei o quanto seu umbigo é importante, cuidado para não engasgá-lo enquanto come seu ego!
_O quê? Enquanto eu como... como assim meu ego?
_Ego é tudo que você vomita no seu diário!
_Me vale o vômito. Bem como a quem se cala.
_Me vale a digestão.
_E valores não se discutem.
_Então tá.
Domingo, Janeiro 20, 2008
Prova de Amor
_É mesmo, nunca nem pensei nisso. Liga o PC pra mim por favor.
_Seu grosso, tô falando sério.
_Tá? Eu também estou. O estabilizador primeiro.
_Pronto. Você me ama de verdade?
_Sim. De verdade verdadeira. E acho que você também me ama.
_É, isso porque já te dei mil provas do meu amor.
_Isso eu posso garantir que sim. Me passa essa nota... não... a da direita... da sua direita.
_Aqui. Você confirma. É porque lembra de todas? Pode me dizer uma?
_Posso, peraí. Alô, oi, não, vai sim, pode enviar, não, não, pegue com o Rogério amanhã então e me envie, obrigado, tchau. Onde eu parei?
_Prova de amor.
_Ah! Sim. Olha, você já provou o vento porque ele move seus cabelos, a água por molhar sua boca, os alimentos o fogo e tudo mais que se possa sentir com o corpo.
_O que isso tem a ver?
_Tem a ver que das provas que você deu, que me vêm à memória, só as que eu senti com a alma te valeram, das outras eu nem me lembro.
_Poxa que lindo isso meu bem. Tá vendo, isso me parece uma prova de amor.
_E daquelas que sente a alma. Cadê meu celular? O Peixoto tá esperando minha ligação.
_Te amo viu.
_Viu, mas aqui... você poderia me deixar um pouquinho só pra eu terminar esse trabalho, saimos dentro de quarenta minutos pra jantar.
_Nossa, que grosso você é, me diz coisas lindas e depois nada.
_Osh! Quer ouvir mais uma coisa linda?
_Quero.
_Te amo muito, tanto que pretendo pagar a conta do restaurante.
_Tah me jogando isso na cara?! Pagar a conta não vale como prova de amor.
_Não vale mesmo, mas prova que eu tenho muito trabalho a fazer.
Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
Tacho de amigos
Náu
ruma perdida ao vosso passo
de velas retorcidas
sem ventos no espaço
Move-se em equilíbrio
guiada ao lume do astro
não para ou tomba a náu
pois d'água és tu a força
pois d'água és tu meu lastro.
Quarta-feira, Dezembro 12, 2007
Graça
E de graça estive servido
E agora o que me fartava
A distância tem consumido,
Mas antes sentir saudade
Que de ti não ter sabido.
Quinta-feira, Novembro 22, 2007
sem reflexo
ele mesmo
e não era eu.
pareceu ser
como se fosse,
e não era ele
era eu.
pôs o dedo
no nariz,
dedo dele
nariz meu.
piscou ele
e eu não ví.
ele falou
eu não ouvi.
não era ele
pois era eu.
ele partiu
e eu aqui
Sexta-feira, Outubro 26, 2007
tintim por tintim
e todo meu gim
tintim por tintim
em cada brindar
há de me cobrar
tudo que prometi
tintim por tintim
sem nada faltar
ei de requerer
tintim por tintim
um pedacinho seu
até você me dar.
Quinta-feira, Outubro 25, 2007
Lúcia e Sorvete
_Que bom meu filho, foi na escola?
_Foi, o que é "ama"?
_É quando alguém gosta muito de você.
_Igual eu gosto muito de sorvete?
_Mais ou menos igual, mas mais ainda.
_Mais?
_É. Pega a tesoura pra mamãe.
_Toma. Hum, então a Lúcia gosta mais de mim que de sorvete?
_Sim meu filho, igual a mamãe e o papai. Agente gosta de você mais que de sorvete.
_É, mas sorvete é mais gostoso, não é mãe?
_Para mim você é mais gostoso que sorvete.
_Então pra Lúcia também né mãe?
_Aí eu não sei filho...
_Mas você disse que é mais...
_Deve ser meu filho, pega a caixa de agulhas pra mamãe pega.
_Toma.
_Obrigado.
_Mãe...
_Oi...
_Se a Lúcia me der o sorvete dela então quer dizer que ela gosta muito de mim?
_Pode ser meu filho, se ela gosta muito de você a ponto de te dar algo de que ela goste muito, pode ser que ela ame você.
_E você mãe, gosta muito de sorvete?
_Gosto sim meu filho.
_E de mim mais que de sorvete?
_É claro meu filho.
_Então mãe, me dá um sorvete?
_Não.
_Ah não mãe... só um...
_Não, vê se isso é hora!
_Se eu pedisse pra Lúcia ela me dava...
_Talvez, por quê você não pede a ela?
_Amanhã eu vou pedir e ela vai me dar.
_Então peça.
_Mãe eu gosto mais da Lúcia que de você.
_Quê isso meu filho? A mamãe te ama tanto.
_Mas nunca me dá sorvete.
Domingo, Outubro 14, 2007
Uma e trinta e um
Era alguém que não se deixa esquecer
Pedindo para não ser esquecido,
Embreagado, me embreagando
me enciumando a distancia.
Puto publiquei isto, desliguei tudo e fui dormir!
Quarta-feira, Outubro 10, 2007
Tudo Tinha
Mulher estranha aquela, não tinha namorado, quase não falava, mas fazia sempre questão de usar salto alto e vermelho, tinha belas pernas, cabelos loiros, tinha também duas faculdades, direito e pedagogia, falava alemão, dirigia um conversível, tinha uma casa na praia. Tudo tinha.
Na Língua Sentida
Nenhuma palavra então foi dita, ficou o sentido e a saudade. Isso em si já bastava, era ela mesmo definida.
Entregou então um papel em branco e foi embora. Nele estava escrito em língua sentida: “ ”.
Adriano e Ariane
_Que é porra!?
_Abaixa esse volume aí, eu tô tentando ler.
_O quê?
_Abaixa o volume caralho!
_Ah! Vc tah ouvindo?
_Não precisa gritar... Pra quê você comprou esses fones de ouvido? Pra ficar surdo?
_Desculpa mana, nem percebi que tava tão alto.
_Você já está surdo!
...
_Adriano! Para de bater o pé por favor.
_Que pé?
_Esse que tem na ponta da sua perna!
_Ei, peraí, não precisa me bater...
_Por que você não vai escutar música no seu quarto?
_Porque eu tô esperando a lasanha sair do forno!
_Eu tiro ela pra você, vai lá pro seu quarto vai.
_Tá bom! Ta bom!
...
_Adriano! A lasanha!
...
_Tá pronta?
_Eu acho que queimou um pouco.
_Caramba Ariane, você disse que ia olhar pra mim!
_Poxa, eu tô lendo né!
_E porque você não lê no seu quarto?
_A luz é ruim.
_E agora, por isso, eu como lasanha queimada... nem quero saber,vou comer a sua, pode ficar com essa!
_Tira a mão... eu não quero comer lasanha, muito menos queimada!
_A é né, eu conto pra mãe que você deixou ela queimar e agente vê...
_Que isso aqui? Vocês estão brigando?
_A Ariane mãe, não me deixou ficar aqui e nem olhou a lasanha!
_Hummm! Nada disso mãe, ele é que fica ouvindo esse negócio na maior...
_Ih! Não quero nem saber. Vocês resolvam isso antes que eu pegue os dois!
_Mas mãe!
_Nada de “mas”, vou ao mercado alguém quer alguma coisa?
_Eu quero, uma lasanha!
_Nada de lasanha! Ariane?
_Meu shampoo acabou.
_Tá bom, tchau e comportem-se!
...
_Adriano! Você não se toca mesmo né!!!
_Que que foi agora ô vaca!?
_Você é que é uma vaca, precisa mastigar de boca aberta?!?
_Poxa Ariane, você é mesmo chata hein!
_Olha, eu só quero ler este livro, dá um tempinho pra sua irmã vai.
_E o que você está lendo?
_É um livro da faculdade, História da Nutrição.
_Ahmmm... tá... quer um pouquinho?
_Me dá aí!
Segunda-feira, Outubro 08, 2007
Qüinquagésima Nona Semana
Na terceira semana, ainda todos unidos, tanto sucesso e nenhuma baixa aliada traziam o gozo da vitória e brotava na memória os dias de folga e farra do acampamento. Agora só havia o descalçar das botas úmidas e as cartas sujas aos entes queridos, azes e valetes. Gripe.
Oitava semana. Duas baixas aliadas, o cara do rádio e um morteiro, grandes amigos que àquela altura já eram irmãos, agora irmãos de sangue, muito sangue. Correr pelos campos tinha um novo significado, o apertar de gatilhos teve um gosto doce durante muitas investidas até a décima segunda semana.
A décima segunda semana foi o acúmulo de tantas doces vinganças que se fizera bile, amarga como o vômito ácido a tornar ásperos os dentes. Ranger de dentes na madrugada. Dormir não servia de mais nada.
Vigésima primeira semana. Agora sim era a guerra de verdade, nas idéias chiadas que aconteciam no confronto dos fogos variados, tantas baixas de inimigos e aliados agora já nem tinham gosto. A saudade a muito era de casa, de mãe, mulher, filhos e amigos.
No fim da trigésima semana vinte baixas eram contadas. Muitos já não conseguiam mais atirar, mas atiravam, mecanizados pela vontade de sobreviver no subviver daquela batalha. Barba por fazer, noites sem dormir, dias sem comer.
Na primeira noite da quadragésima sexta semana aquela coragem da primeira se tornara tara dos que já não mais a tinham, esses se escondiam por traz dos mais resistentes a mandar bala para o outro lado, até que de repente, ora ou outra, passava voando uma perna, do joelho para baixo. Todos ali eram cientes agentes funerários prestando serviço a si mesmos.
Hoje, na alvorada da qüinquagésima nona semana, surgiu entre raios de sol o som das hélices farfalhando folhas chão afora. Metade da tropa se fora embora e o que poderia ser a retirada é a nova chegada. Um capitão, sargentos e muitos soldados, todos armados, empolgados, um grupo de recém treinados, recém coitados. Alimentos, bebidas, drogas estimulantes e uma vontade louca de enforcar os comandantes tomam o pelotão que a quilômetros vem deixando como rastro mil corpos no chão.
Deixo em meu leito raso fundado no pó da terra, onde muitos se puseram ao pesadelo das noites na guerra, a cruz e medalha que de nada me valeram.
Domingo, Outubro 07, 2007
Marcos, silêncio
_Consegui o quê Adelaide?
_Ficar assim calado, por esse tempo todo.
_Olha, fácil não foi, mas te digo que quando tenho que escolher entre falar merda e ficar calado, calar sempre é minha opção.
_Quanta merda. E é você mesmo quem julga o que é merda ou não na sua fala?
_É.
_Hum, você podia pensar melhor nisso, afinal você pode não ser tão bom como crítico.
_E quem você acha que seria bom o bastante?
_Não sei, um amigo talvez, daqueles que você aprecia as idéias.
_É, poderia ser. Poderia ser você, não poderia? Sempre que tenho vontade de falar você me escuta.
_Pois é, mas não sei se consigo.
_Apesar de gostar das suas idéias jamais cobrei de você uma crítica. Contudo você nunca passou do eu gosto, ou, essa é para mim, ou, cuidado com o que você diz, faz, sente.
_Não é crítico o bastante para você?
_Acho que não. A muito tenho evitado dizer coisas relevantes a você, até por isso.
_Por acaso eu não sou digna de criticar-te?
_Digna de criticar-me sim, você tem sido, mas de um amigo como você não me bastam as críticas, queria mesmo apoio.
_Apoio para suas falas, não é possível, pois se elas nascem da sua cabeça e fluem na sua boca, depois de saída delas suas idéias não podem ser filtradas e refaladas.
_Tudo que lhe disse até hoje Adelaide não precisava de filtros ou críticas, precisava mesmo é de reações.
_E eu as tive de acordo com minhas inquietações, você não manipula com palavras.
_Isso foi uma crítica.
_Não, para mim foi mais uma reação!
_Perdoe-me Adelaide, mas tenho tido medo da crítica, tanto quanto das reações e já não consigo distiguí-las.
_Então medo é a causa do seu silêncio.
_A muito tem sido uma merda a causa do meu silêncio.
Segunda-feira, Setembro 24, 2007
Sexta-feira, Agosto 24, 2007
Re-Lembro
Domingo, Agosto 19, 2007
Pula Adelaide
_Tô com medo.
_Medo de que? Lá embaixo só tem água e está tão quente esse verão, você não queria nadar?
_É que a água é tão escura, parece que não tem fundo.
_É o fundo da lagoa Adelaide, as pedras são mesmo escuras lá. Pula!
_Não, eu nem trouxe meu maiô.
_Pula nua então. Só tem agente aqui, quem vai ver?
_Ora quem? Você!
_Bem, eu vou pular nu mesmo, eu não trouxe roupa de banho também.
_Não, eu não quero ver você nu... pode parar com isso.
_Então não olhe Adelaide.
_Eu vou embora então.
_Ora! Pode ir, ta com medo da água e com vergonha de mim. Eu não tenho vergonha de você não, quer ver.
_Não faz isso Kalil, não... Kalil...
_Agora é só pular.
_Você está nu! Creeedo!
_Uruuuuuuuuuuuuuuuuu... Ahahahahahha... demais! A água está uma delícia Adelaide, você não sabe o que está perdendo, vem!
_Não sei...
...
_Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
_Que é isso Adelaide?! Você pulou!?
_Pulei... foi demais, parece que agente está voando.
_É mesmo, e a água? Não está boa?
_Uma delícia, obrigado por me trazer aqui.
_Não há de quê.
_Como se chama essa lagoa?
_O povo daqui chama de Poço dos Patos, mas nunca vi nenhum aqui!
_Será que mais gente vem pra cá?
_Eu venho sempre e quase nunca encontro gente da cidade; volta e meia tem os índios.
_Aqui tem índio?
_Tem, eles se lavam aqui quando estão de passagem.
_E se um índio aparecer agora? Ele vai ver agente nu.
_E o quê que tem? Eles também nadam nus.
_Não, espera aí, não vai me deixar aqui sozinha.
_Mas eu vou voltar.
_Não, e se eu me afogar?
_Calma eu só vou pular de novo. Você sabe nadar, não vai se afogar.
_Sei lá... uma câimbra, hipotermia, congestão, um índio... nunca se sabe.
_Poxa Adelaide, você é bem medrosa mesmo, vamos pular juntos então?!?
_Não, vamos fazer o seguinte, eu vou pular primeiro, mas você não pode olhar.
_Olhar o que mulher?
_Me olhar, estou nua não vê?!?
_Vejo, mas o que tem isso? Eu também estou.
_Tenho medo de me mostrar assim, nua.
_Olha Adelaide, quer saber... nadar com você não tem graça!
Terça-feira, Julho 10, 2007
Eles
Depois de muito ouvir começou a falar baixinho, pra fazer chegar mais perto, cada vez mais baixo, cada vez mais perto. Dizia coisas do passado. Entre experiências profissionais, hora ou outra, surgiam amores, dois ou três amores vividos. Falou também de um tal futuro à espera, ainda no forno e “quem me dera isso e aquilo e aquilo outro”.
Estava bem perto. Dada hora suas mãos alcançaram peito, ombros e enfim costas. Quase silêncio. Envolvido e protegido, lacrado, selado. Simbiose.
Pouco depois falava tão baixo que os ouvidos estavam dentro da boca, por isso as palavras eram estalos de lábios e ranger de dentes entre úmidas línguas sobre a pele do pescoço. Sonora sopa de letrinhas. Tão silenciosa. Arrepios.
O aroma perfumado dos cabelos, que se enrolaram na boca e nos brincos, tomava fugas as narinas entorpecidas, surdas e cegas narinas. Por outro lado os olhos fechados podiam imaginar só o conjunto de dois corpos no pequeno universo obscuro da sala de jantar.
Até que então estavam os dois de alma nua, falando cada vez mais baixinho, mais pertinho...

