sexta-feira, setembro 30, 2011

Uma coisa é certa, me expresso quando estou profundamente machucado, ou divinamente saudável. Mas para ser feliz eu topo até ser mudo.

Veneno


Tendo os pés imersos em veneno de repente é tomado em tramas. Experimenta. Um pulo, um mergulho. Em si o próprio morto. Morto em caos paz não se encontra, nem se pretende. Imerso em veneno não se afoga. Antes morto, intoxicado, a sufocado, de peito apertado. Antes de nada, antes que tudo...

Ele fala, nada escuta. Ele brada, tudo muta. Dor é assim, cura com tempo e tédio ou cura com cicuta.


quinta-feira, setembro 22, 2011

_Eu omiti.

_Omitiu o quê?
_O fato de sentir ciúmes.
_E você tem?
_Tenho, um tanto que me incomoda.
_E você não expressa esses ciúmes?
_Não diretamente.
_Que tal então passar a fazê-lo, com parcimônia é claro?
_E como se faz isso?
_Apenas diga: "Estou com ciúmes", em claro e bom tom.
_Mas daí eu vou assumir meu incômodo.
_Assumir não meu caro, expressar.
_Ao questionar meu amor a prova de tudo constatei que de tudo ele é a prova!

quinta-feira, agosto 25, 2011

Me Compra um dia?

_Um dia inteiro?
_Não, compre a mim, hoje mesmo.
_Hoje mesmo, não poderia ser o dia de amanhã?
_Não seu bobo, eu me vendo e você me compra, hoje.
_Por um dia?
_Por toda a vida.
_Hummm, não poderia ser só por um dia?
_Poxa, tah achando que eu sou prostituta?
_Não! É que eu não tenho tanto dinheiro.
_Então leva de graça, sem precisar de dinheiro.
_Pra toda a vida?
_É
_Hummm, tá bom... Você vem morar comigo?
_Ah não, sua mãe é muito metódica. Vem você morar comigo.
_Na casa que você mora com seus pais?
_É
_Poxa, isso não seria venda casada?
_Casada é o que vai ter que ser.

Desafeto. No colo da solidão. Não deveria estar assim tão só, não sendo quem é. Não há nenhuma obrigação. Afinal quantas seriam as possibilidades? Qual delas seria no lugar da solidão, daquela cadela, parceira infiel a todos os que se entregam solitários?
É dela o lugar que hoje ocupa essa vagabunda. Dela que reage a todas as tais vontades, bem ou mal, de acordo com a vontade, mas isso não importa agora.
A privação da presença chega aos sentidos repentinamente amarga e, também de repente, tudo que deveria ser paz e tranqüilidade se mostra turvo e inquieto. Virando na vida de cá pra lá e vice-e-versa, condicionado a um estranho querer vestido de não pode. Quer! Não deve. Quer! Um pouco? Um tanto? Quer!
Hoje, do sentir, tenho vias que nem em veias se tornam versos. Daí escrevo prosa e vou afastando-me de mim pra ver se enxergo como um todo. Não adianta. Faltam-me meus próprios olhos. Os teus que me destes um dia para que eu pudesse ver minha alma... Aquela que sem você há muito tempo não percebo.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Dica do Dia

A menos que você esteja num berço dourado, o prazer vai ser aquilo que vão comprar na sua mão a preço de banana. Caso contrário, você terá muitos fornecedores. Sendo assim, arranje algum dinheiro, ou torne-se imediatamente budista e livre-se logo dos desejos.

segunda-feira, maio 02, 2011

EN NOIR


Erguidas imponentes diante dos olhos, hormônios tomando o cenário, cintadas vestes em frenesi rebolam enquanto, emocionado, canto acompanhando a ligeira batida, a que doma as massas em uníssono pisoteado.
Assim, trotando no crepúsculo, entre brasas e tragos, vão todas, pelo ritmo tocadas, as tantas ideias em foco, as que sob a luz eminente do próximo instante, nutrindo as notas da falante corda, guiando tudo no passo prático da zabumba, vão ao encontro febril das mil artérias ali infladas.
Nos sentidos fabricados em modo fast food tropeços e processos livres de culpa. 
Daí, a metáfora da meia noite à meia lua, lá pelas duas, tudo contempla. E da melhor forma estaria eu de cá sonhando ao som da toada de tantas almas abruptamente geminadas.

segunda-feira, março 14, 2011

à prova.

Questiono meu amor, que se diz à prova de tudo, só pra saber se de tudo meu amor será a prova.

domingo, fevereiro 13, 2011

Agatha e Igor

_ Você pinta flores?

_ Eu não gosto de pintar.

_ O que você faz?

_ Eu desenho.

_ Hummm... você desenha flores?

_ Não.

_ Por que?

_ Porque eu gosto mais de desenhar gente comum, mulher nua, máquinas, cartoon...

_ A ta, mas e se eu te encomendar uma pintura de flores?

_ Bem, a um bom preço... sim eu pinto.

_ Você nem mesmo gosta de pintar, mas por dinheiro você pinta?

_ Até flores.

_ Você então está se vendendo.

_ É, é isso mesmo. Estou cobrando pela minha capacidade de representar. Coisa que você não tem.

_ Eu posso ter. Não sou diferente de você.

_ É sim. Se você soubesse fazer não teríamos essa conversa.

_ Se eu soubesse eu nunca iria me prostituir.

_ Nesse mundo, meu anjo, ou você vende e come, ou não vende e é comido.

_ Essa condição não te deprime?

_ Deprime, mas eu prefiro me deprimir de barriga cheia. Você não?

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Tropeço

Tropeço

by Mateus Marques on Wednesday, February 2, 2011 at 10:54am

Enquanto os olhos tocavam as curvilíneas formas daquela beldade eu mal podia pensar que, justo naquele instante ímpar de extrema contemplação, haveria um top...

Um tropeço que acabou me atirando a cabeça no poste metálico logo a frente. Imprevistos arquitetônicos. De um lado uma construção divinal da natureza, o supra-sumo bio-dinâmico, do outro a massa fria e sólida do caminho tortuoso.

Na memória uma excitação, um "AI!" envergonhado, um supercílio sangrando e um sorriso...

Tudo isso misturado com o impacto fez do poste a beldade, do sorriso o caminho, da dor o olhar, de mim um trapalhão...

De consciência refeita, segundos depois do impacto, ela estava lá, ainda magnífica e ainda sorrindo.

Bem, ela riu. Já é um começo.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Arquipélago Negro

Meus olhos ardiam. Ardia salgado o céu da minha boca, ouvi o som de um chucalho gigante, que parecia ir e vir. Eu estava deitado, sob um sol intenso, porém relaxante. Estranho conforto. Ao abrir os olhos percebi minha orelha e metade de minha cabeça enterrados em areia fria, também o resto do meu corpo estava ali incrustado. Senti também um frio nos pés e canelas, fora isso não sentia mais nada. Quando consegui, por alguns instantes, estabelecer o foco, avistei ao longe as mulheres rastejando atordoadas... Apaguei. ... Entrava na cabana de Oxánah, porém Oxánah não estava lá, lá estava Kiah, minha mãe por adoção, com os pés imersos em água salobra. _Quanto tempo Kiah? Quanto tempo ficarei lá? _Só o suficiente meu filho. _O suficiente minha mãe, para quê? _O suficiente para morrer. ... Cheiro de mato fresco, som de chuva caindo levemente, o barulho de prosas avulsas e passos no mato. Meus olhos ainda ardiam, porém me senti acordando na velha tribo após um medonho pesadelo. Quando tentei balbuciar algo minha voz parecia trêmula, tanto que meu pensamento se fez som, mas não se fez palavra. Uma preta se aproximou como um vulto embaçado, disse-me algo que não pude entender naquele momento e novamente apaguei. ... Três trilhas no meio do mato logo à frente, guardadas por três seres velhos. Um deles é meio afeminado... ou será mesmo uma mulher? _Se vós micê não afunda, quem sabe flutua? _Se vós micê não flutua, quem sabe afunda? _Se vós... Acorda Kuana! Acorda! Nós estamos vivos! ... Ao abrir os olhos lá estava Gadé descabelada, me acariciando a face em pranto exagerado.

domingo, junho 27, 2010

Antônio Aguilar

Perturbado me veio Antônio, um alter ego que estava mau humorado, dizendo que pretendia fazer uma viagem, para esquecer da vida.
Eu entendo Antônio. Ele é o responsável pelas partes chatas da rotina e se incomoda profundamente quando as condições de sua existência, como a atitude dos outros, se tornam meio mornas, ou frias, porque nestas horas ele tem muito trabalho, assumir o comando da parte menos divertida.
Antônio, querendo ou não, é um libertino contido pela razão, não a sua própria, mas a que copia das normas formais impostas e bla bla bla bla.
Ele deseja sempre muito tempero nos seus pratos, adora conquistar, o faz com certa freqüência, mas se excita profundamente ao ser conquistado, ao ponto de ferver. Porém, como já disse, ele é contido pela razão, sua e dos outros. A ele isso serve para não cair em maléficos exageros.
Bem, Antônio tem passado apertado pelas mazelas da mesmice, na escassez de calores ele clama por uma ou outra apimentada.
_ Não definiria isso como uma aventura porque aventuras são momentos diferentes dos momentos corriqueiros. Quer dizer, eu sou assim o tempo todo, desejo o tempo todo. Então queria mesmo é um pouco de calor consistente, duradouro, daqueles que não se esgotam em invernadas. Não uma aventura, queria uma jornada _ Me disse Antônio antes de partir de vez, atrás de qualquer anseio.

sexta-feira, junho 25, 2010

Na estrada

A Jú deitada na curva da interrogação enquanto eu exclamo um dedão suspenso, pedindo carona para um ponto final. Já fazem algumas horas que espero a boa vontade de qualquer afirmação passante. Ali estamos por via das dúvidas. Meu polegar, seu sonho, nossa estrada.



(valeu Jú. este devaneio veio por você)

quinta-feira, junho 24, 2010

_Essa não é a aquela mina?

_Ô meu, é. Ela é linda demais.
_Linda? Quem?
_A Nathália ora!
_Hummm, sei lá. Eu acho ela meio magrela, meio das pernas tortas.
_Oh! Que isso? Esse é o charme dela.
_As pernas tortas?
_Ela não tem as pernas tortas!!
_Não né! Eu entendo o que você está sentindo.
_Eu estou vendo a verdade... ela é chick mesmo.
_Cara ela pode até ser legal, mas chick, chik mesmo, é a Luiza.
_Ana Luiza? A baixinha?
_Ela não é baixinha.
_Não, ela joga basquete na seleção...
_Nem tanto. Ela é lindinha demais, olha só os peitinhos...
_Affe, peitinhos, são enormes cara... são 30% da massa corporal da menina.
_Ô... é disso que estou falando, que peitinhos...
_Tah certo, ela combina com esse seu narigão.
_Ah tah e a Nathália com essas suas orelhonas!
_Eu não tenho as orelhas grandes não...
_Não, elas são enormes...
_Ah cara, que isso? Estavamos falando de mulher... que treta é essa agora?
_Não não... eu estava falando de mulher... você eu não sei...
_Vá se foder!

terça-feira, abril 27, 2010

TV Casa Japa

Um dia tive que fugir do Brasil,
Mandei o Estado a puta que o pariu,
E acabei sendo exilado.

Um mês depois me desovei no Japão.
Quando, sentado, ví a televisão
E descobri, subitamente, que não entendia nada.

A TV me pareceu diferente,
Apenas luzes se movendo pra frente,
Então pensei: é o paraíso...

Uma leveza me levou da poltrona,
E bem me lembro que naquela semana,
Conheci o monte Fuji.

Tomei saquê com uma nippomaníaca
Conheci uma gueisha austríaca
Um bar man
Um professor
Um padre
Um bom senhor
Uma Jurista
Um ator
E uma senhora educada.

Fui ao museu da tecnologia,
Assisti um espetáculo da coxia,
Estava mesmo aprendendo.

Na biblioteca eu me filosofava,
E no buteco a gente bem se falava
Sobre as idéias de Confúcio.

Passados dois anos naquela novidade,
Não conhecia ainda nem a metade
Daquela cultura intrigante.

Não demorou para eu falar japonês,
Casei com a filha de um chato burguês,
Engravidar filha alheia é uma merda em qualquer lugar.

Cheguei então cansado do trabalho,
Fiz hora extra no meu aniversário,
E minha poltrona é minha amiga.

Então me volto diante da televisão,
Tinha esquecido que estava no Japão,
E quando ligo está passanduuuuuu...

...uuuuuuuuuuuuu Domingão...

...numa outr'aversão...

...uuuuuuuuuuuuuuuu...

terça-feira, março 30, 2010

Aldo e Deisy

_Acorda!... Acorda! Aldo, acorda!
_Ã... que foi meu bem...
_Estou ouvindo uns barulhos estranhos no jardim da frente.
_Deve... aaaaaaaaaa... ser aquele cachorro de novo fussando meu jardim de tulipas... já é a terceira vez.
_E se for um ladrão?
_Será? Um ladrão que rouba flores?
_~Derl~ não tem graça... Já tem um tempo que não ouço nada, ele pode estar na cozinha.
_Não pode ser, justo hoje. Tem certeza que você não estava sonhando?
_Tenho... bem, não sei... vai lá ver meu bem.
_A não... que saco... são três da manhã, deixa o gatuno se dar bem pelo menos dessa vez.
_Nada disso, a prataria está toda a vista, minha vó me deu aquilo tudo. Se você não for eu vou.
_Tá OK! Eu vôooooooooooooooooooaaaaaaa... lá olhar.

...

_E então?
_Você estava sonhando.
_Pois é, quando você desceu eu me lembrei que realmente estava sonhando com cães em um velório barulhento cheio de ladrões.
_Eu sabia, só você mesmo pra sonhar com um velório decorado com tulipas.
_Desculpa meu bem... ei... Onde você vai?
_Vou abrir a janela, perdi o sono e vou ler um pouco pra retomar...
_Por que você não retoma e me toma aqui mesmo na cama hein, eu posso ajudar... ou não...
_Boa idéia, mas vou abrir a janela assim mes... Opá!!! Olha lá! É o cachorro desgraçado fussando minhas tuli... filho de uma égua... ou cadela!
_A não, deixa o cachorro pra lá, tá escuro, são só plantas, você disse que viria para a cama e...
_E você disse que estávamos sendo roubados! Levanta Deisy... eu acho que são vários, anda...

...

_Não tem nenhum cachorro aqui.
_Eles devem ter fugido quando abrimos a porta... Peraí... aquilo correndo não é um...
_Coelho!
_Só me faltava essa, coelhos no meu jardim é demais, eu preferia os ladrões!
_Bem, fazer o quê?
_Pragas!!!
_Feliz Páscoa meu bem, vou voltar para a cama.

...

_Isso... isso... assim... agora... a...

...

_Ah! Meu bem... Wou... ufffa... demais... você poderia perder um jardim por noite.
_Não sei não... eu estava pensando... será que coelhos comem tulipas e cachorros comem coelhos?

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Livre

_Soltei aquele passarinho que meu tio deixou.
_Haha. Ontém?
_É, eram umas oito da noite quando o fiz.
_Era que passarinho mesmo?
_Um canário belga. Tadinho né, passou a vida inteira na gaiola cantando.
_É?
_É, meu tio comprou ele ainda filhote no mercado central.
_Vish, então eu acho que você não fez muito bem.
_Por que? Você acha que eu deveria mantê-lo preso?
_Não. Acho que você deveria tê-lo matado, sem dor é claro.
_Credo, preferi deixá-lo livre.
_Sei, na mata, tocando em bar e ganhando a vida.
_Ah! Ele pode voar né.
_E você viu ele voando?
_Não, soltei ele num arbusto e fui embora.
_Legal, se você não salvou o passarinho ao menos matou a fome de um gato.
_Será... Ah! Eu gosto de gatos.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Planos...

eu naum os tenho claros na ideia, juntos existem uns mil embaçados... nesse aspecto a vida me parece sempre como um porre que nunca acaba, turva e cambaleante.

Jaime Pascoal

Contou-me ontém que foi invadido por uma imensa onda de paixão incontrolável. Algo do tipo que move a lua no céu, cardumes policromáticos no mar, pássaros fugidios no inverno.

_Amigo, confesso, estou abalado...

Melando palavras, de mel a meu, cantava alegremente sua rendição incondicional ao fluxo daquele novo sentir. Descrevia seu prazer docemente apimentado com um sorriso embasbacado feito sexta-feira à noite.
Contou-me alucinado que jamais havia visto antes, mas bem como contara da outra vez.
Feliz Jaime Pascoal, vivendo cada paixão como a primeira e rezando nunca viver a última.

quarta-feira, maio 27, 2009

Dica do dia:

"_ Só para quando o bicho ajoelhar na entrada."

quinta-feira, abril 23, 2009

mmmmmm...

Afinados toques em meio às costas e uma multidão de pêlos se levanta prontamente enquanto drenam-se por poros calores excessivos.

Travelings tomam a paisagem epidérmica adiantada morro acima, a frente das línguas que traçam roteiros deliciantes nas mais íntimas viagens.

Toca com a boca as cordas mais agudas de um pescoço, fricciona unhas afiadas em carne úmida e grita panos adentro extremado êxtase.

sexta-feira, abril 17, 2009

Ai!!!

Aí! Saudade ainda me mata,
Mata-me de pressa...
Correr o tempo de espera
entre separado e encontro.
Sentido ao que faz falta.
Falta muito, falta pouco,
E eu já estou ficando rouco
de cantar a paciência,
essa só que me assola,
sofro até chegar a hora
de acabar minha clemência.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Natureza

A expressão Natureza (do latim: natura, naturam, naturea ou naturae) aplica-se a tudo aquilo que tem como característica fundamental o facto de ser natural: ou seja, envolve todo o ambiente existente que não teve intervenção antrópica.

Dessa noção da palavra, surge seu significado mais amplo: a Natureza corresponde ao mundo material e, em extensão, ao Universo físico: toda sua matéria e energia, inseridas em um processo dinâmico que lhes é próprio e cujo funcionamento segue regras próprias (estudadas pelas ciências naturais).

Fonte on-line. “Wikipédia, a enciclopédia livre.” – 06/02/2009 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Natureza)

A definição acima aponta como natural o que não é “tocado” pelo homem, mas o homem em si é fruto de uma dinâmica natural, criado com a capacidade não só de alterá-la como até, acreditam muitos, desfazê-la sendo dela substrato.

Daí surge uma questão interessante, a natureza age mesmo harmonicamente (cabe aqui também uma definição de harmonia) ou o conflito (outra definição) é seu parâmetro motor?

Sendo substrato natural, o homem e sua capacidade de interpretação e manipulação de recursos, lógicos e materiais, coloca-se por estas vias em terceira pessoa; enxerga na natureza seus próprios arbítrios e a chama hora de harmônica, como uma conta que resulta em 4, hora de conflituosa, como sua própria mente constantemente caótica que resume tudo em contas. Paradoxo.

Pretensão humana definir algo como se dela não fosse fruto, aqui opino.

Evoluir, rastejar, ter penas, dentes, amamentar ao vôo, ter voz, e por fim raciocínio é seguir qual caminho? O da harmonia, ou do conflito?

A natureza faz seu trabalho a caminho da superação ou extinção?

Um ser Chamado Aflito

Ele acreditava mesmo nas pessoas, era seu dom mais intrigante, o positivismo com o qual tecia seus relacionamentos. Apaixonava-se diariamente pelos amigos de maneira cega e assim se dedicava ao máximo. Jogou tão limpo que brilhava alvo. Não media palavras de conforto. Não negava, era aberto, barato, um poço de compreensão.

Como todo excesso é prejudicial, esse não seria diferente. De tão bom bobo, de tão bobo usado, de tão usado exausto, de tão exausto triste e de tão triste inconsolável.

Pobre coitado.



...

sábado, janeiro 17, 2009

Dica do dia:

_Guarde a máscara depois do espetáculo.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Não Esqueço Mais

Eu descobri que posso encontrar coisas esquecidas dentro de mim mesmo, coisas que são deveras importantes e se esconderam por algum tempo. Porém lembra-las é a prova cabal de que, por ser humano, eu posso perdê-las.

Só se encontra algo que se havia perdido.

Não querendo mais sofrer tais perdas temporárias, tomei uma decisão:
Amarrei no meu dedo polegar, esse que eu uso o tempo todo para agarrar coisas, uma fita vermelha. Assim ela me lembra de não esquecer a importância que estas lembranças têm para mim.

Daí fiz uma promessa: Nunca esquecer de conferir a presença da fita.

Para cumprir a promessa, que também corre o risco de se perder no esquecimento pelos mesmos motivos, amarrei no meu indicador, esse que eu uso para apontar coisas, outra fita, porém azul.

Novamente fiz uma promessa: Nunca esquecer de conferir a presença da fita.

No entanto, para não me esquecer de cumprir essa promessa...

...e assim foram-se os dedos.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Paulo e Marta

_Alô, Paulo?
_Sim, Marta?
_Sou eu.
_Há quanto tempo você não me liga moça. To com saudade.
_Bastante não é? Eu também to com saudade.
_É, e como andam as coisas aí?
_Com a lida ta tudo bem, to um tanto atarefada, meio que de stress...
_Ã...
_...meu problema tem sido você.
_Que isso Marta? Não nos vemos a semanas. O que eu poderia ter feito?
_É isso mesmo... é que não passo um único dia, minuto, sem pensar em nós e da última vez que estivemos juntos, foi tão mágico pra mim quanto da primeira vez e eu não suporto mais minha hipocrisia e... to com medo e... poxa, to sem lugar no mundo e...
_Hei! Hei! Calma mulher...
_Me perdoa meu bem... eu tenho mais de você em mim do que posso suportar agora... eu te quero muito... não se vire pra mim...
_Opa! Você ta me assustando Marta. Ta até se parecendo comigo, tempos atrás.
_Não é fácil admitir, eu não me arrependo de ter partido, eu também tinha problemas, mas não houve um único dia em que seu nome não fora tocado, nem uma oração em que você não tenha sido agraciado, eu vejo você em lembranças do dia a dia, nos filmes que vimos juntos, nos pratos, nas músicas... eu to precisando muito de você... da sua pele, voz...
_Marta, não me diga isso. Você partiu convicta de algo, o que mudou agora?
_Não é brincadeira Paulo, você sabe muito bem que eu me rendo a você sem pensar, desde sempre, e você fez uso disso quando lhe foi conveniente... Me escuta, eu te peço perdão e admito... eu te amo, mais que tudo e queria ter você agora mesmo aqui comigo...
_Uow! Nem sei o que dizer... eu... preciso digerir isso... eu... bem... eu tenho que ir e não posso falar agora.
_Não Paulo, não faz isso... olha eu sou melhor agora... não, eu sou a mesma... a meus Deus, eu sou nada sem você.
_Ow! Eu realmente preciso pensar... eu to ocupado e encabulado agora é... agente se fala.
_Paulo não... espé...

domingo, dezembro 07, 2008

Lembranças

Guardei hoje minhas más lembranças, causadoras dos meus traumas, num lugar seguro chamado Cautela, as boas, as que me deram prazer, guardei com carinho num lugar chamado Paixões.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Anti-Musa

A muito não és tu o que inspira
Não toma mais anseios um minuto
Verdades reveladas em mentiras
A ti não prestam mais nenhum tributo.


...

sábado, novembro 15, 2008

Dor, muita dor!

Meu inferno às vezes são dores que me acordam com a luz do sol das quatorze horas de um sábado ocioso. Eu não babei em meu travesseiro porque estive toda a manhã dormindo com a boca seca... Não me destruí por completo percebo, porém, mais uma dose mudaria isso.

Ressaca!!!

Daí me toca o telefone e foda-se... minha cabeça dói e até minha cama anda doendo.

Chega então uma mensagem e, de repente, nem tão foda-se. Eu fugi da cama quente e quase tomei um tombo, falhou meu pé esquerdo.

Perfeito! Agora pra me consolar eu tenho dores no pé, cabeça e peito.

Eu não vou fugir do meu dia, apesar dele parecer um lixo até agora. Posso me tratar com esta embalagem na minha mão, escrita em russo. Mas como o mensageiro me deu olhos embaçados eu não consigo ler as letras miúdas da bula e devo me auto medicar às cegas.

Filha da Puta... que fossa... que dor no pé... que dor no peito!

quarta-feira, outubro 29, 2008

Dica do dia:

"_Oh! Voltei pra te falar o seguinte, mexer com mulher dos ôtro é caixão! Tah ligado?"

terça-feira, outubro 14, 2008

Política Honesta

A honestidade é o motor da boa convivência, a valia da verdade. Aquele que age dentro dos princípios desta sempre terá consigo o desejo e capacidade de enxergar o que realmente importa, não para si, mas para todos. Afinal a honestidade do homem solitário só tem uso no que tange o individual. Já ao homem público esta também se aplica ao coletivo, comunitário, em prol do progresso e bem estar social de sua comunidade.

Apenas o homem agraciado por Deus com este dom, a honestidade, é capaz de tornar-se o líder ideal. Saber quem é o afortunado detentor de tal dom depende mesmo de conhecer e vislumbrar, honestamente, seus atos, comportamentos e costumes, bem como seus ideais, opiniões e propostas.

domingo, outubro 05, 2008

Vá se folder-se!

Na pequena fila que enfrentei hoje pela manhã uma senhora me veio com um folder na mão, desses folderes de igreja teorizando conspirações. Dessa vez "O Código Da Vinci".

Oh Shit! Peguei o papelzinho por automatismo e pensei: Tô ferrado. Isso vai andar pela minha casa durante semanas antes de ir para o lixo. Não sei por quê então, talvez por causa da fila, abri o treco e fiz a leitura sugerida. Desejei ser analfabeto!

"O Código Da Vinci, fato ou Ficção?". Oakay suas antas, é ficção. Acreditar nisso, ou não, não é um exercício de fé. É só mais um livro escrito pelo homem que pelo visto amedronta a esse ponto, o de haver um folder "explicativo", as verdades do livro sagrado, escrito por Deus.

Creio em Deus sim, mas não vejo muita diferença entre as serifas da Bíblia, as de Dan Brown e as desse blog. Qualquer um poderia chamá-los ficção, e quero ver quem me prova que não.

Talvez o Dan Brown deveria publicar um folder do mesmo calão bradando o contrário. Mas ainda assim seria só mais um papel chato se metendo no meu bolso contando uma possível estória.




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5 de Outrubro

Hoje de manhã eu quis tomar um suco de sistema. Como eu não tinha bolachas achei melhor justificar meu não-voto, fumar um baseado e ver um filme desses melosos.


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terça-feira, setembro 30, 2008

Palavra Imágica

!TUGALABIDUGALABIDUBALAGIBAU!


{Palavra imágica capaz de realizar todos os desejos que você não tem, apenas se dita três vezes seguidas em noites de um dia qualquer}


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sexta-feira, setembro 26, 2008

Dica do dia:

"_ O negócio é o seguinte, murcha não.... tem que ser "olho" no olho."


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domingo, setembro 21, 2008

- Marcos, vai dormir!

- Eu não quero mais dormir.
- Ora! E agora essa, por quê?
- Eu tô com medo.
- Medo de quê?
- De morrer dormindo.
- Hahahaha... você morre enquanto está acordado também, você não tem medo?
- Opá! É mesmo... mas acordado eu só tenho medo de morrer se for dormindo.
- Então... vá dormir!


.....

sexta-feira, setembro 19, 2008

Ontem

A ponta do nariz tocara o lábio superior segundos antes de um beijo, o primeiro. Bastava mesmo ela me olhar nos olhos e prostrar seu hálito perto da minha fussa! De tão perto me parecia cerâmica fina. Como um chá quente de flores do campo, adoçado com mel das abelhas mais caprichosas, seus lábios tornaram rubras as melodias pulsantes em todas as veias.


.....

Flor Do Destino

Te amei assim como água de chuva
Que vai penetrando pra dentro do mundo
Te bebi assim como poço de rua
Que eu olhava dentro mas não via o fundo

Tu me deste um sonho
Eu te trouxe um gosto de tucumã
Tu me deste um beijo
E a gente se amou até de manhã

Veio o sol batendo
E nos despertou
Da gente virando terra, mato,
Galho e flor

Água de riacho é clara e limpinha
Mas às vezes turva com a chuva violenta
Teu amor é um papagaio que xina
Dentro do silêncio da tarde cinzenta
E o amor é um rio
Profundo rio
De muitos sinais
Onde os barcos passam
Conforme o vento deseja e faz
Ai que ainda me lembro
Disso que ficou
Da gente virando terra, mato,
Galho e flor.


(Nilson Chaves)




Nilson Chaves, paraense, poeta e compositor. Este artista de notória habilidade com as palavras traz ao arcenal de motivos da música popular brasileira os mais variados timbres da amazônia em composições rechedas de muito regionalismo e paixão.

sexta-feira, agosto 22, 2008

...

Sentimentos são como máquinas, automóveis embalados em venosas vias.

sexta-feira, abril 04, 2008

Orquestra

Toquei sozinho. A que tem altos e baixos essa noite perdeu os autos. Apresentou-se mecânica nota por nota. Picos e vales claros em cada passo, mas como um relógio insistente, cuja corda se acaba num turbilhão de aplausos. Não me incomodava estar ali feito uma máquina de divertir. Incomodava-me tocar sozinho. Junto à orquestra tinha ao menos o uníssono poder do grupo. Minha mãe me dissera uma vez: O valor de uma orquestra está no conjunto. Há muito abandonei a orquestra, ainda quando estava junto dela, e os meus solos de violino agora são feito engrenagens eficientes, sem alma. Ganho com isso os aplausos e perco o tempero.
Desci as escadas em direção ao camarim, colado na porta um bilhete que recolhi prontamente e entrei. Sentado diante do espelho li.
Querido, estou na cidade, mas não pude comparecer. Volto pela manhã. Obrigado pelas entradas, dei à Luci que levou este bilhete. Ligue-me amanhã, estarei em casa.
Eu já sabia. Ainda previsível. Bem como minhas notas.
No estacionamento, encostado no carro o velho maestro.
_Soube do seu solo e resolvi aparecer, rapaz o que lhe falta é uma orquestra.

Hoje acordei um pouco decepcionado, talvez arrependido.

quarta-feira, março 19, 2008

Infanto

Anda tateando o mundo e mordendo os lábios, olhando para os lados de olhos bem abertos. Documenta a vibração das coisas. Madeira, metal, parede, isopor, plástico, palha, pedra, galho, pão, pó, pino, papel... Curioso, aprecia da vida muitos sabores. Olha cara a cara. Malha. Ri. Não se cega. Não sossega. Se entrega.

terça-feira, março 11, 2008

Rubra

Idéias presas em rubros de bandeira,
De tanto vistas, ao solo, desfalecem,
Desbotadas dos textos se esquecem,
Quase sempre perdendo a estribeira.

O vermelho que tingira o pano branco,
Simbolismo do desejo por seu canto,
De Paz sonhada findou-se então em pranto.

domingo, março 09, 2008

Sem Moléstias

Para ele era feito uma sessão de psicanálise, mas não havia moléstia. Não sofria de mal algum, mas se medicava constantemente em prostíbulos onde faziam cegamente suas vontades. O preço paga o serviço. Tinha trinta e poucos anos e um bom emprego. Quando era alguém que desejava ser era ele mesmo. Hora herói, hora bandido, horas a fio. O que esperar de alguém sem moléstias? Amava unicamente a própria vida e não se arrependeu de nada, nunca. Via a morte como o fim fatídico a tudo que se acredita, o mero fim do tiquetaquear regressivo da existência individual. Não tomou nota de seus momentos, guardou consigo, convicto de que morreriam as lembranças antes dele. Quem ouviu suas palavras o ouviu em vida. Nada de livros. Ele nada tinha a declarar, pois jamais algo o incomodou a ponto de se sentir reprimido. Tinha trabalho e era o melhor, tinha família e era a melhor. Tinha quarenta e cinco e praticava esportes aquáticos. Não mais freqüentava os prostíbulos, tinha fé na família. Morreu então em silêncio aos 85 anos, destituído da memória antes do fôlego, por causas obviamente naturais, bem como planejava. Mas afinal, o que esperar de um homem sem moléstias?

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Ei, porquê não fala sobre você?

_Não entendo isso.
_Isso o quê?
_Sua mania de escrever devaneios literários num diário.
_E o que tem de mais?
_Um diário é feito para contar os dias.
_Para isso eu já tenho um calendário, tem até um impresso nas primeiras páginas do meu não-diário.
_Não é contar de contar que eu tô falando, é tipo de contar uma história. História com "h". A sua história dia-a-dia.
_Para quê? Quem se interessaria pela minha história? Não faço nada que seja assim... tão admirável.
_É, pensando assim você tem razão. Mas acredito que se as pessoas tivessem esse hábito facilitariam o trabalho dos historiadores.
_Que que eu tenho a ver com os historiadores?
_Nada por enquanto. Mas digamos que alguém pegue o seu... como é mesmo?
_Não-diário?
_É, isso aí, seu não-diário. Ele não dirá nada sobre você.
_Mas poderia dizer muito sobre o que andei pensando vida afora.
_Pensando, han.
_Se vivi, ou vivenciei, absorvi algo. Tendo esse algo em mim me restam três opções, eu acho.
_Hum?
_Eu posso me calar.
_Dois...
_Posso vomitar.
_Três.
_Ou posso digerir!
_E qual você está fazendo agora?
_Digerindo ora!
_Escrevendo essas viagens?
_É.
_Por isso é que sai tudo uma merda. hehehehehehe...
_Viu... Taí você vomitando. Porque não vai contar o dia ao seu diário? Quem sabe um historiador gosta da sua história e escreva um mestrado com ela.
_Tá me cassoando neh?!
_Não não...
_Prefiro falar sobre mim mesmo que dos sentidos e viagens e tal... é chato!
_Agora podia ter se calado. Sei o quanto seu umbigo é importante, cuidado para não engasgá-lo enquanto come seu ego!
_O quê? Enquanto eu como... como assim meu ego?
_Ego é tudo que você vomita no seu diário!
_Me vale o vômito. Bem como a quem se cala.
_Me vale a digestão.
_E valores não se discutem.
_Então tá.

domingo, janeiro 20, 2008

Prova de Amor

_Você jamais me deu uma prova do seu amor.
_É mesmo, nunca nem pensei nisso. Liga o PC pra mim por favor.
_Seu grosso, tô falando sério.
_Tá? Eu também estou. O estabilizador primeiro.
_Pronto. Você me ama de verdade?
_Sim. De verdade verdadeira. E acho que você também me ama.
_É, isso porque já te dei mil provas do meu amor.
_Isso eu posso garantir que sim. Me passa essa nota... não... a da direita... da sua direita.
_Aqui. Você confirma. É porque lembra de todas? Pode me dizer uma?
_Posso, peraí. Alô, oi, não, vai sim, pode enviar, não, não, pegue com o Rogério amanhã então e me envie, obrigado, tchau. Onde eu parei?
_Prova de amor.
_Ah! Sim. Olha, você já provou o vento porque ele move seus cabelos, a água por molhar sua boca, os alimentos o fogo e tudo mais que se possa sentir com o corpo.
_O que isso tem a ver?
_Tem a ver que das provas que você deu, que me vêm à memória, só as que eu senti com a alma te valeram, das outras eu nem me lembro.
_Poxa que lindo isso meu bem. Tá vendo, isso me parece uma prova de amor.
_E daquelas que sente a alma. Cadê meu celular? O Peixoto tá esperando minha ligação.
_Te amo viu.
_Viu, mas aqui... você poderia me deixar um pouquinho só pra eu terminar esse trabalho, saimos dentro de quarenta minutos pra jantar.
_Nossa, que grosso você é, me diz coisas lindas e depois nada.
_Osh! Quer ouvir mais uma coisa linda?
_Quero.
_Te amo muito, tanto que pretendo pagar a conta do restaurante.
_Tah me jogando isso na cara?! Pagar a conta não vale como prova de amor.
_Não vale mesmo, mas prova que eu tenho muito trabalho a fazer.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Tacho de amigos

É feita de amigos a calda caramelada da vida, em um tacho grande que me alimenta a diabetes. Me importa que tal vício me leva a fatídica sorte, pois sei bem que de tal melado quem come tem fim fraterno até com a morte.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Graça

Afoguei-me nas tuas graças
E de graça estive servido
E agora o que me fartava
A distância tem consumido,
Mas antes sentir saudade
Que de ti não ter sabido.

quinta-feira, novembro 22, 2007

sem reflexo

Ví o reflexo, ele mesmo não era eu. Pareceu ser como se fosse, mas não era ele, era eu. Pôs o dedo no nariz, dedo dele, nariz meu. Piscou ele e eu não ví. Ele falou, eu não ouvi. Não era ele, pois era eu. Ele partiu e eu aqui.