segunda-feira, março 14, 2011
à prova.
domingo, fevereiro 13, 2011
Agatha e Igor
_ Você pinta flores?
_ Eu não gosto de pintar.
_ O que você faz?
_ Eu desenho.
_ Hummm... você desenha flores?
_ Não.
_ Por que?
_ Porque eu gosto mais de desenhar gente comum, mulher nua, máquinas, cartoon...
_ A ta, mas e se eu te encomendar uma pintura de flores?
_ Bem, a um bom preço... sim eu pinto.
_ Você nem mesmo gosta de pintar, mas por dinheiro você pinta?
_ Até flores.
_ Você então está se vendendo.
_ É, é isso mesmo. Estou cobrando pela minha capacidade de representar. Coisa que você não tem.
_ Eu posso ter. Não sou diferente de você.
_ É sim. Se você soubesse fazer não teríamos essa conversa.
_ Se eu soubesse eu nunca iria me prostituir.
_ Nesse mundo, meu anjo, ou você vende e come, ou não vende e é comido.
_ Essa condição não te deprime?
_ Deprime, mas eu prefiro me deprimir de barriga cheia. Você não?
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Tropeço
Tropeço
Enquanto os olhos tocavam as curvilíneas formas daquela beldade eu mal podia pensar que, justo naquele instante ímpar de extrema contemplação, haveria um top...
Um tropeço que acabou me atirando a cabeça no poste metálico logo a frente. Imprevistos arquitetônicos. De um lado uma construção divinal da natureza, o supra-sumo bio-dinâmico, do outro a massa fria e sólida do caminho tortuoso.
Na memória uma excitação, um "AI!" envergonhado, um supercílio sangrando e um sorriso...
Tudo isso misturado com o impacto fez do poste a beldade, do sorriso o caminho, da dor o olhar, de mim um trapalhão...
De consciência refeita, segundos depois do impacto, ela estava lá, ainda magnífica e ainda sorrindo.
Bem, ela riu. Já é um começo.
quarta-feira, agosto 18, 2010
Arquipélago Negro
domingo, junho 27, 2010
Antônio Aguilar
Ele deseja sempre muito tempero nos seus pratos, adora conquistar, o faz com certa freqüência, mas se excita profundamente ao ser conquistado, ao ponto de ferver. Porém, como já disse, ele é contido pela razão, sua e dos outros. A ele isso serve para não cair em maléficos exageros.
sexta-feira, junho 25, 2010
Na estrada
(valeu Jú. este devaneio veio por você)
quinta-feira, junho 24, 2010
_Essa não é a aquela mina?
_Linda? Quem?
_A Nathália ora!
_Hummm, sei lá. Eu acho ela meio magrela, meio das pernas tortas.
_Oh! Que isso? Esse é o charme dela.
_As pernas tortas?
_Ela não tem as pernas tortas!!
_Não né! Eu entendo o que você está sentindo.
_Eu estou vendo a verdade... ela é chick mesmo.
_Cara ela pode até ser legal, mas chick, chik mesmo, é a Luiza.
_Ana Luiza? A baixinha?
_Ela não é baixinha.
_Não, ela joga basquete na seleção...
_Nem tanto. Ela é lindinha demais, olha só os peitinhos...
_Affe, peitinhos, são enormes cara... são 30% da massa corporal da menina.
_Ô... é disso que estou falando, que peitinhos...
_Tah certo, ela combina com esse seu narigão.
_Ah tah e a Nathália com essas suas orelhonas!
_Eu não tenho as orelhas grandes não...
_Não, elas são enormes...
_Ah cara, que isso? Estavamos falando de mulher... que treta é essa agora?
_Não não... eu estava falando de mulher... você eu não sei...
_Vá se foder!
terça-feira, abril 27, 2010
TV Casa Japa
Mandei o Estado a puta que o pariu,
E acabei sendo exilado.
Um mês depois me desovei no Japão.
Quando, sentado, ví a televisão
E descobri, subitamente, que não entendia nada.
A TV me pareceu diferente,
Apenas luzes se movendo pra frente,
Então pensei: é o paraíso...
Uma leveza me levou da poltrona,
E bem me lembro que naquela semana,
Conheci o monte Fuji.
Tomei saquê com uma nippomaníaca
Conheci uma gueisha austríaca
Um bar man
Um professor
Um padre
Um bom senhor
Uma Jurista
Um ator
E uma senhora educada.
Fui ao museu da tecnologia,
Assisti um espetáculo da coxia,
Estava mesmo aprendendo.
Na biblioteca eu me filosofava,
E no buteco a gente bem se falava
Sobre as idéias de Confúcio.
Passados dois anos naquela novidade,
Não conhecia ainda nem a metade
Daquela cultura intrigante.
Não demorou para eu falar japonês,
Casei com a filha de um chato burguês,
Engravidar filha alheia é uma merda em qualquer lugar.
Cheguei então cansado do trabalho,
Fiz hora extra no meu aniversário,
E minha poltrona é minha amiga.
Então me volto diante da televisão,
Tinha esquecido que estava no Japão,
E quando ligo está passanduuuuuu...
...uuuuuuuuuuuuu Domingão...
...numa outr'aversão...
...uuuuuuuuuuuuuuuu...
terça-feira, março 30, 2010
Aldo e Deisy
_Ã... que foi meu bem...
_Estou ouvindo uns barulhos estranhos no jardim da frente.
_Deve... aaaaaaaaaa... ser aquele cachorro de novo fussando meu jardim de tulipas... já é a terceira vez.
_E se for um ladrão?
_Será? Um ladrão que rouba flores?
_~Derl~ não tem graça... Já tem um tempo que não ouço nada, ele pode estar na cozinha.
_Não pode ser, justo hoje. Tem certeza que você não estava sonhando?
_Tenho... bem, não sei... vai lá ver meu bem.
_A não... que saco... são três da manhã, deixa o gatuno se dar bem pelo menos dessa vez.
_Nada disso, a prataria está toda a vista, minha vó me deu aquilo tudo. Se você não for eu vou.
_Tá OK! Eu vôooooooooooooooooooaaaaaaa... lá olhar.
...
_E então?
_Você estava sonhando.
_Pois é, quando você desceu eu me lembrei que realmente estava sonhando com cães em um velório barulhento cheio de ladrões.
_Eu sabia, só você mesmo pra sonhar com um velório decorado com tulipas.
_Desculpa meu bem... ei... Onde você vai?
_Vou abrir a janela, perdi o sono e vou ler um pouco pra retomar...
_Por que você não retoma e me toma aqui mesmo na cama hein, eu posso ajudar... ou não...
_Boa idéia, mas vou abrir a janela assim mes... Opá!!! Olha lá! É o cachorro desgraçado fussando minhas tuli... filho de uma égua... ou cadela!
_A não, deixa o cachorro pra lá, tá escuro, são só plantas, você disse que viria para a cama e...
_E você disse que estávamos sendo roubados! Levanta Deisy... eu acho que são vários, anda...
...
_Não tem nenhum cachorro aqui.
_Eles devem ter fugido quando abrimos a porta... Peraí... aquilo correndo não é um...
_Coelho!
_Só me faltava essa, coelhos no meu jardim é demais, eu preferia os ladrões!
_Bem, fazer o quê?
_Pragas!!!
_Feliz Páscoa meu bem, vou voltar para a cama.
...
_Isso... isso... assim... agora... a...
...
_Ah! Meu bem... Wou... ufffa... demais... você poderia perder um jardim por noite.
_Não sei não... eu estava pensando... será que coelhos comem tulipas e cachorros comem coelhos?
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Livre
_Haha. Ontém?
_É, eram umas oito da noite quando o fiz.
_Era que passarinho mesmo?
_Um canário belga. Tadinho né, passou a vida inteira na gaiola cantando.
_É?
_É, meu tio comprou ele ainda filhote no mercado central.
_Vish, então eu acho que você não fez muito bem.
_Por que? Você acha que eu deveria mantê-lo preso?
_Não. Acho que você deveria tê-lo matado, sem dor é claro.
_Credo, preferi deixá-lo livre.
_Sei, na mata, tocando em bar e ganhando a vida.
_Ah! Ele pode voar né.
_E você viu ele voando?
_Não, soltei ele num arbusto e fui embora.
_Legal, se você não salvou o passarinho ao menos matou a fome de um gato.
_Será... Ah! Eu gosto de gatos.
quarta-feira, outubro 07, 2009
Planos...
Jaime Pascoal
_Amigo, confesso, estou abalado...
Melando palavras, de mel a meu, cantava alegremente sua rendição incondicional ao fluxo daquele novo sentir. Descrevia seu prazer docemente apimentado com um sorriso embasbacado feito sexta-feira à noite.
Contou-me alucinado que jamais havia visto antes, mas bem como contara da outra vez.
Feliz Jaime Pascoal, vivendo cada paixão como a primeira e rezando nunca viver a última.
quarta-feira, maio 27, 2009
quinta-feira, abril 23, 2009
mmmmmm...
Travelings tomam a paisagem epidérmica adiantada morro acima, a frente das línguas que traçam roteiros deliciantes nas mais íntimas viagens.
Toca com a boca as cordas mais agudas de um pescoço, fricciona unhas afiadas em carne úmida e grita panos adentro extremado êxtase.
sexta-feira, abril 17, 2009
Ai!!!
Mata-me de pressa...
Correr o tempo de espera
entre separado e encontro.
Sentido ao que faz falta.
Falta muito, falta pouco,
E eu já estou ficando rouco
de cantar a paciência,
essa só que me assola,
sofro até chegar a hora
de acabar minha clemência.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Natureza
Dessa noção da palavra, surge seu significado mais amplo: a Natureza corresponde ao mundo material e, em extensão, ao Universo físico: toda sua matéria e energia, inseridas em um processo dinâmico que lhes é próprio e cujo funcionamento segue regras próprias (estudadas pelas ciências naturais).
Fonte on-line. “Wikipédia, a enciclopédia livre.” – 06/02/2009 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Natureza)
A definição acima aponta como natural o que não é “tocado” pelo homem, mas o homem em si é fruto de uma dinâmica natural, criado com a capacidade não só de alterá-la como até, acreditam muitos, desfazê-la sendo dela substrato.
Daí surge uma questão interessante, a natureza age mesmo harmonicamente (cabe aqui também uma definição de harmonia) ou o conflito (outra definição) é seu parâmetro motor?
Sendo substrato natural, o homem e sua capacidade de interpretação e manipulação de recursos, lógicos e materiais, coloca-se por estas vias em terceira pessoa; enxerga na natureza seus próprios arbítrios e a chama hora de harmônica, como uma conta que resulta em 4, hora de conflituosa, como sua própria mente constantemente caótica que resume tudo em contas. Paradoxo.
Pretensão humana definir algo como se dela não fosse fruto, aqui opino.
Evoluir, rastejar, ter penas, dentes, amamentar ao vôo, ter voz, e por fim raciocínio é seguir qual caminho? O da harmonia, ou do conflito?
A natureza faz seu trabalho a caminho da superação ou extinção?
Um ser Chamado Aflito
Como todo excesso é prejudicial, esse não seria diferente. De tão bom bobo, de tão bobo usado, de tão usado exausto, de tão exausto triste e de tão triste inconsolável.
Pobre coitado.
...
sábado, janeiro 17, 2009
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Não Esqueço Mais
Só se encontra algo que se havia perdido.
Não querendo mais sofrer tais perdas temporárias, tomei uma decisão:
Amarrei no meu dedo polegar, esse que eu uso o tempo todo para agarrar coisas, uma fita vermelha. Assim ela me lembra de não esquecer a importância que estas lembranças têm para mim.
Daí fiz uma promessa: Nunca esquecer de conferir a presença da fita.
Para cumprir a promessa, que também corre o risco de se perder no esquecimento pelos mesmos motivos, amarrei no meu indicador, esse que eu uso para apontar coisas, outra fita, porém azul.
Novamente fiz uma promessa: Nunca esquecer de conferir a presença da fita.
No entanto, para não me esquecer de cumprir essa promessa...
...e assim foram-se os dedos.
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Paulo e Marta
_Sim, Marta?
_Sou eu.
_Há quanto tempo você não me liga moça. To com saudade.
_Bastante não é? Eu também to com saudade.
_É, e como andam as coisas aí?
_Com a lida ta tudo bem, to um tanto atarefada, meio que de stress...
_Ã...
_...meu problema tem sido você.
_Que isso Marta? Não nos vemos a semanas. O que eu poderia ter feito?
_É isso mesmo... é que não passo um único dia, minuto, sem pensar em nós e da última vez que estivemos juntos, foi tão mágico pra mim quanto da primeira vez e eu não suporto mais minha hipocrisia e... to com medo e... poxa, to sem lugar no mundo e...
_Hei! Hei! Calma mulher...
_Me perdoa meu bem... eu tenho mais de você em mim do que posso suportar agora... eu te quero muito... não se vire pra mim...
_Opa! Você ta me assustando Marta. Ta até se parecendo comigo, tempos atrás.
_Não é fácil admitir, eu não me arrependo de ter partido, eu também tinha problemas, mas não houve um único dia em que seu nome não fora tocado, nem uma oração em que você não tenha sido agraciado, eu vejo você em lembranças do dia a dia, nos filmes que vimos juntos, nos pratos, nas músicas... eu to precisando muito de você... da sua pele, voz...
_Marta, não me diga isso. Você partiu convicta de algo, o que mudou agora?
_Não é brincadeira Paulo, você sabe muito bem que eu me rendo a você sem pensar, desde sempre, e você fez uso disso quando lhe foi conveniente... Me escuta, eu te peço perdão e admito... eu te amo, mais que tudo e queria ter você agora mesmo aqui comigo...
_Uow! Nem sei o que dizer... eu... preciso digerir isso... eu... bem... eu tenho que ir e não posso falar agora.
_Não Paulo, não faz isso... olha eu sou melhor agora... não, eu sou a mesma... a meus Deus, eu sou nada sem você.
_Ow! Eu realmente preciso pensar... eu to ocupado e encabulado agora é... agente se fala.
_Paulo não... espé...
domingo, dezembro 07, 2008
Lembranças
segunda-feira, novembro 24, 2008
Anti-Musa
Não toma mais anseios um minuto
Verdades reveladas em mentiras
A ti não prestam mais nenhum tributo.
...
sábado, novembro 15, 2008
Dor, muita dor!
Ressaca!!!
Daí me toca o telefone e foda-se... minha cabeça dói e até minha cama anda doendo.
Chega então uma mensagem e, de repente, nem tão foda-se. Eu fugi da cama quente e quase tomei um tombo, falhou meu pé esquerdo.
Perfeito! Agora pra me consolar eu tenho dores no pé, cabeça e peito.
Eu não vou fugir do meu dia, apesar dele parecer um lixo até agora. Posso me tratar com esta embalagem na minha mão, escrita em russo. Mas como o mensageiro me deu olhos embaçados eu não consigo ler as letras miúdas da bula e devo me auto medicar às cegas.
Filha da Puta... que fossa... que dor no pé... que dor no peito!
quarta-feira, outubro 29, 2008
terça-feira, outubro 14, 2008
Política Honesta
Apenas o homem agraciado por Deus com este dom, a honestidade, é capaz de tornar-se o líder ideal. Saber quem é o afortunado detentor de tal dom depende mesmo de conhecer e vislumbrar, honestamente, seus atos, comportamentos e costumes, bem como seus ideais, opiniões e propostas.
domingo, outubro 05, 2008
Vá se folder-se!
Oh Shit! Peguei o papelzinho por automatismo e pensei: Tô ferrado. Isso vai andar pela minha casa durante semanas antes de ir para o lixo. Não sei por quê então, talvez por causa da fila, abri o treco e fiz a leitura sugerida. Desejei ser analfabeto!
"O Código Da Vinci, fato ou Ficção?". Oakay suas antas, é ficção. Acreditar nisso, ou não, não é um exercício de fé. É só mais um livro escrito pelo homem que pelo visto amedronta a esse ponto, o de haver um folder "explicativo", as verdades do livro sagrado, escrito por Deus.
Creio em Deus sim, mas não vejo muita diferença entre as serifas da Bíblia, as de Dan Brown e as desse blog. Qualquer um poderia chamá-los ficção, e quero ver quem me prova que não.
Talvez o Dan Brown deveria publicar um folder do mesmo calão bradando o contrário. Mas ainda assim seria só mais um papel chato se metendo no meu bolso contando uma possível estória.
5 de Outrubro
terça-feira, setembro 30, 2008
Palavra Imágica
{Palavra imágica capaz de realizar todos os desejos que você não tem, apenas se dita três vezes seguidas em noites de um dia qualquer}
sexta-feira, setembro 26, 2008
domingo, setembro 21, 2008
- Marcos, vai dormir!
- Ora! E agora essa, por quê?
- Eu tô com medo.
- Medo de quê?
- De morrer dormindo.
- Hahahaha... você morre enquanto está acordado também, você não tem medo?
- Opá! É mesmo... mas acordado eu só tenho medo de morrer se for dormindo.
- Então... vá dormir!
sexta-feira, setembro 19, 2008
Ontem
Flor Do Destino
Que vai penetrando pra dentro do mundo
Te bebi assim como poço de rua
Que eu olhava dentro mas não via o fundo
Tu me deste um sonho
Eu te trouxe um gosto de tucumã
Tu me deste um beijo
E a gente se amou até de manhã
Veio o sol batendo
E nos despertou
Da gente virando terra, mato,
Galho e flor
Água de riacho é clara e limpinha
Mas às vezes turva com a chuva violenta
Teu amor é um papagaio que xina
Dentro do silêncio da tarde cinzenta
E o amor é um rio
Profundo rio
De muitos sinais
Onde os barcos passam
Conforme o vento deseja e faz
Ai que ainda me lembro
Disso que ficou
Da gente virando terra, mato,
Galho e flor.
(Nilson Chaves)
Nilson Chaves, paraense, poeta e compositor. Este artista de notória habilidade com as palavras traz ao arcenal de motivos da música popular brasileira os mais variados timbres da amazônia em composições rechedas de muito regionalismo e paixão.
sexta-feira, agosto 22, 2008
sexta-feira, abril 04, 2008
Orquestra
Desci as escadas em direção ao camarim, colado na porta um bilhete que recolhi prontamente e entrei. Sentado diante do espelho li.
Querido, estou na cidade, mas não pude comparecer. Volto pela manhã. Obrigado pelas entradas, dei à Luci que levou este bilhete. Ligue-me amanhã, estarei em casa.
Eu já sabia. Ainda previsível. Bem como minhas notas.
No estacionamento, encostado no carro o velho maestro.
_Soube do seu solo e resolvi aparecer, rapaz o que lhe falta é uma orquestra.
Hoje acordei um pouco decepcionado, talvez arrependido.
quarta-feira, março 19, 2008
Infanto
terça-feira, março 11, 2008
Rubra
De tanto vistas, ao solo, desfalecem,
Desbotadas dos textos se esquecem,
Quase sempre perdendo a estribeira.
O vermelho que tingira o pano branco,
Simbolismo do desejo por seu canto,
De Paz sonhada findou-se então em pranto.
domingo, março 09, 2008
Sem Moléstias
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Ei, porquê não fala sobre você?
_Isso o quê?
_Sua mania de escrever devaneios literários num diário.
_E o que tem de mais?
_Um diário é feito para contar os dias.
_Para isso eu já tenho um calendário, tem até um impresso nas primeiras páginas do meu não-diário.
_Não é contar de contar que eu tô falando, é tipo de contar uma história. História com "h". A sua história dia-a-dia.
_Para quê? Quem se interessaria pela minha história? Não faço nada que seja assim... tão admirável.
_É, pensando assim você tem razão. Mas acredito que se as pessoas tivessem esse hábito facilitariam o trabalho dos historiadores.
_Que que eu tenho a ver com os historiadores?
_Nada por enquanto. Mas digamos que alguém pegue o seu... como é mesmo?
_Não-diário?
_É, isso aí, seu não-diário. Ele não dirá nada sobre você.
_Mas poderia dizer muito sobre o que andei pensando vida afora.
_Pensando, han.
_Se vivi, ou vivenciei, absorvi algo. Tendo esse algo em mim me restam três opções, eu acho.
_Hum?
_Eu posso me calar.
_Dois...
_Posso vomitar.
_Três.
_Ou posso digerir!
_E qual você está fazendo agora?
_Digerindo ora!
_Escrevendo essas viagens?
_É.
_Por isso é que sai tudo uma merda. hehehehehehe...
_Viu... Taí você vomitando. Porque não vai contar o dia ao seu diário? Quem sabe um historiador gosta da sua história e escreva um mestrado com ela.
_Tá me cassoando neh?!
_Não não...
_Prefiro falar sobre mim mesmo que dos sentidos e viagens e tal... é chato!
_Agora podia ter se calado. Sei o quanto seu umbigo é importante, cuidado para não engasgá-lo enquanto come seu ego!
_O quê? Enquanto eu como... como assim meu ego?
_Ego é tudo que você vomita no seu diário!
_Me vale o vômito. Bem como a quem se cala.
_Me vale a digestão.
_E valores não se discutem.
_Então tá.
domingo, janeiro 20, 2008
Prova de Amor
_É mesmo, nunca nem pensei nisso. Liga o PC pra mim por favor.
_Seu grosso, tô falando sério.
_Tá? Eu também estou. O estabilizador primeiro.
_Pronto. Você me ama de verdade?
_Sim. De verdade verdadeira. E acho que você também me ama.
_É, isso porque já te dei mil provas do meu amor.
_Isso eu posso garantir que sim. Me passa essa nota... não... a da direita... da sua direita.
_Aqui. Você confirma. É porque lembra de todas? Pode me dizer uma?
_Posso, peraí. Alô, oi, não, vai sim, pode enviar, não, não, pegue com o Rogério amanhã então e me envie, obrigado, tchau. Onde eu parei?
_Prova de amor.
_Ah! Sim. Olha, você já provou o vento porque ele move seus cabelos, a água por molhar sua boca, os alimentos o fogo e tudo mais que se possa sentir com o corpo.
_O que isso tem a ver?
_Tem a ver que das provas que você deu, que me vêm à memória, só as que eu senti com a alma te valeram, das outras eu nem me lembro.
_Poxa que lindo isso meu bem. Tá vendo, isso me parece uma prova de amor.
_E daquelas que sente a alma. Cadê meu celular? O Peixoto tá esperando minha ligação.
_Te amo viu.
_Viu, mas aqui... você poderia me deixar um pouquinho só pra eu terminar esse trabalho, saimos dentro de quarenta minutos pra jantar.
_Nossa, que grosso você é, me diz coisas lindas e depois nada.
_Osh! Quer ouvir mais uma coisa linda?
_Quero.
_Te amo muito, tanto que pretendo pagar a conta do restaurante.
_Tah me jogando isso na cara?! Pagar a conta não vale como prova de amor.
_Não vale mesmo, mas prova que eu tenho muito trabalho a fazer.
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Tacho de amigos
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Graça
E de graça estive servido
E agora o que me fartava
A distância tem consumido,
Mas antes sentir saudade
Que de ti não ter sabido.
quinta-feira, novembro 22, 2007
sem reflexo
sexta-feira, outubro 26, 2007
tintim por tintim
quinta-feira, outubro 25, 2007
Lúcia e Sorvete
_Que bom meu filho, foi na escola?
_Foi, o que é "ama"?
_É quando alguém gosta muito de você.
_Igual eu gosto muito de sorvete?
_Mais ou menos igual, mas mais ainda.
_Mais?
_É. Pega a tesoura pra mamãe.
_Toma. Hum, então a Lúcia gosta mais de mim que de sorvete?
_Sim meu filho, igual a mamãe e o papai. Agente gosta de você mais que de sorvete.
_É, mas sorvete é mais gostoso, não é mãe?
_Para mim você é mais gostoso que sorvete.
_Então pra Lúcia também né mãe?
_Aí eu não sei filho...
_Mas você disse que é mais...
_Deve ser meu filho, pega a caixa de agulhas pra mamãe pega.
_Toma.
_Obrigado.
_Mãe...
_Oi...
_Se a Lúcia me der o sorvete dela então quer dizer que ela gosta muito de mim?
_Pode ser meu filho, se ela gosta muito de você a ponto de te dar algo de que ela goste muito, pode ser que ela ame você.
_E você mãe, gosta muito de sorvete?
_Gosto sim meu filho.
_E de mim mais que de sorvete?
_É claro meu filho.
_Então mãe, me dá um sorvete?
_Não.
_Ah não mãe... só um...
_Não, vê se isso é hora!
_Se eu pedisse pra Lúcia ela me dava...
_Talvez, por quê você não pede a ela?
_Amanhã eu vou pedir e ela vai me dar.
_Então peça.
_Mãe eu gosto mais da Lúcia que de você.
_Quê isso meu filho? A mamãe te ama tanto.
_Mas nunca me dá sorvete.
domingo, outubro 14, 2007
Uma e trinta e um
Era alguém que não se deixa esquecer
Pedindo para não ser esquecido,
Embreagado, me embreagando,
me enciumando à distancia.
Puto publiquei isto, desliguei tudo e fui dormir!
quarta-feira, outubro 10, 2007
Tudo Tinha
Mulher estranha aquela, não tinha namorado, quase não falava, mas fazia sempre questão de usar salto alto e vermelho, tinha belas pernas, cabelos loiros, tinha também duas faculdades, direito e pedagogia, falava alemão, dirigia um conversível, tinha uma casa na praia. Tudo tinha.
Na Língua Sentida
Nenhuma palavra então foi dita, ficou o sentido e a saudade. Isso em si já bastava, era ela mesmo definida.
Entregou então um papel em branco e foi embora. Nele estava escrito em língua sentida: “ ”.
Adriano e Ariane
_Que é porra!?
_Abaixa esse volume aí, eu tô tentando ler.
_O quê?
_Abaixa o volume caralho!
_Ah! Vc tah ouvindo?
_Não precisa gritar... Pra quê você comprou esses fones de ouvido? Pra ficar surdo?
_Desculpa mana, nem percebi que tava tão alto.
_Você já está surdo!
...
_Adriano! Para de bater o pé por favor.
_Que pé?
_Esse que tem na ponta da sua perna!
_Ei, peraí, não precisa me bater...
_Por que você não vai escutar música no seu quarto?
_Porque eu tô esperando a lasanha sair do forno!
_Eu tiro ela pra você, vai lá pro seu quarto vai.
_Tá bom! Ta bom!
...
_Adriano! A lasanha!
...
_Tá pronta?
_Eu acho que queimou um pouco.
_Caramba Ariane, você disse que ia olhar pra mim!
_Poxa, eu tô lendo né!
_E porque você não lê no seu quarto?
_A luz é ruim.
_E agora, por isso, eu como lasanha queimada... nem quero saber,vou comer a sua, pode ficar com essa!
_Tira a mão... eu não quero comer lasanha, muito menos queimada!
_A é né, eu conto pra mãe que você deixou ela queimar e agente vê...
_Que isso aqui? Vocês estão brigando?
_A Ariane mãe, não me deixou ficar aqui e nem olhou a lasanha!
_Hummm! Nada disso mãe, ele é que fica ouvindo esse negócio na maior...
_Ih! Não quero nem saber. Vocês resolvam isso antes que eu pegue os dois!
_Mas mãe!
_Nada de “mas”, vou ao mercado alguém quer alguma coisa?
_Eu quero, uma lasanha!
_Nada de lasanha! Ariane?
_Meu shampoo acabou.
_Tá bom, tchau e comportem-se!
...
_Adriano! Você não se toca mesmo né!!!
_Que que foi agora ô vaca!?
_Você é que é uma vaca, precisa mastigar de boca aberta?!?
_Poxa Ariane, você é mesmo chata hein!
_Olha, eu só quero ler este livro, dá um tempinho pra sua irmã vai.
_E o que você está lendo?
_É um livro da faculdade, História da Nutrição.
_Ahmmm... tá... quer um pouquinho?
_Me dá aí!
segunda-feira, outubro 08, 2007
Qüinquagésima Nona Semana
Na terceira semana, ainda todos unidos, tanto sucesso e nenhuma baixa aliada traziam o gozo da vitória e brotava na memória os dias de folga e farra do acampamento. Agora só havia o descalçar das botas úmidas e as cartas sujas aos entes queridos, azes e valetes. Gripe.
Oitava semana. Duas baixas aliadas, o cara do rádio e um morteiro, grandes amigos que àquela altura já eram irmãos, agora irmãos de sangue, muito sangue. Correr pelos campos tinha um novo significado, o apertar de gatilhos teve um gosto doce durante muitas investidas até a décima segunda semana.
A décima segunda semana foi o acúmulo de tantas doces vinganças que se fizera bile, amarga como o vômito ácido a tornar ásperos os dentes. Ranger de dentes na madrugada. Dormir não servia de mais nada.
Vigésima primeira semana. Agora sim era a guerra de verdade, nas idéias chiadas que aconteciam no confronto dos fogos variados, tantas baixas de inimigos e aliados agora já nem tinham gosto. A saudade a muito era de casa, de mãe, mulher, filhos e amigos.
No fim da trigésima semana vinte baixas eram contadas. Muitos já não conseguiam mais atirar, mas atiravam, mecanizados pela vontade de sobreviver no subviver daquela batalha. Barba por fazer, noites sem dormir, dias sem comer.
Na primeira noite da quadragésima sexta semana aquela coragem da primeira se tornara tara dos que já não mais a tinham, esses se escondiam por traz dos mais resistentes a mandar bala para o outro lado, até que de repente, ora ou outra, passava voando uma perna, do joelho para baixo. Todos ali eram cientes agentes funerários prestando serviço a si mesmos.
Hoje, na alvorada da qüinquagésima nona semana, surgiu entre raios de sol o som das hélices farfalhando folhas chão afora. Metade da tropa se fora embora e o que poderia ser a retirada é a nova chegada. Um capitão, sargentos e muitos soldados, todos armados, empolgados, um grupo de recém treinados, recém coitados. Alimentos, bebidas, drogas estimulantes e uma vontade louca de enforcar os comandantes tomam o pelotão que a quilômetros vem deixando como rastro mil corpos no chão.
Deixo em meu leito raso fundado no pó da terra, onde muitos se puseram ao pesadelo das noites na guerra, a cruz e medalha que de nada me valeram.
domingo, outubro 07, 2007
Marcos, silêncio
_Consegui o quê Adelaide?
_Ficar assim calado, por esse tempo todo.
_Olha, fácil não foi, mas te digo que quando tenho que escolher entre falar merda e ficar calado, calar sempre é minha opção.
_Quanta merda. E é você mesmo quem julga o que é merda ou não na sua fala?
_É.
_Hum, você podia pensar melhor nisso, afinal você pode não ser tão bom como crítico.
_E quem você acha que seria bom o bastante?
_Não sei, um amigo talvez, daqueles que você aprecia as idéias.
_É, poderia ser. Poderia ser você, não poderia? Sempre que tenho vontade de falar você me escuta.
_Pois é, mas não sei se consigo.
_Apesar de gostar das suas idéias jamais cobrei de você uma crítica. Contudo você nunca passou do eu gosto, ou, essa é para mim, ou, cuidado com o que você diz, faz, sente.
_Não é crítico o bastante para você?
_Acho que não. A muito tenho evitado dizer coisas relevantes a você, até por isso.
_Por acaso eu não sou digna de criticar-te?
_Digna de criticar-me sim, você tem sido, mas de um amigo como você não me bastam as críticas, queria mesmo apoio.
_Apoio para suas falas, não é possível, pois se elas nascem da sua cabeça e fluem na sua boca, depois de saída delas suas idéias não podem ser filtradas e refaladas.
_Tudo que lhe disse até hoje Adelaide não precisava de filtros ou críticas, precisava mesmo é de reações.
_E eu as tive de acordo com minhas inquietações, você não manipula com palavras.
_Isso foi uma crítica.
_Não, para mim foi mais uma reação!
_Perdoe-me Adelaide, mas tenho tido medo da crítica, tanto quanto das reações e já não consigo distiguí-las.
_Então medo é a causa do seu silêncio.
_A muito tem sido uma merda a causa do meu silêncio.